Língua e cultura

A língua é uma parte fundamental da identidade de um país. A língua é o veículo utilizado na comunicação, portanto, é através dessa língua que a cultura passa por gerações. E é graças à língua, que temos registos de culturas e povos da antiguidade, e é através da língua que essas culturas, não só influenciaram a nossa cultura actual, como também se fazem sentir presentes, permitindo-nos aprender algo sobre elas e revisita-las, séculos depois.

Algumas línguas dão origem a outras. O latim é a mãe do português, espanhol, italiano e outras. O valor cultural trazido pelo latim fluiu pelas línguas às quais deu origem. E se analizarmos a um nível histórico, veremos que o latim foi falado no Império Romano, o qual se espalhou pela Europa, pelos países onde estas novas línguas são faladas actualmente. Estes países não só herdaram as raízes lexicais do latim, mas herdaram também os traços culturais do Império, ao qual pertenceram no passado.     .

Mas depois, estes países, que outrora foram províncias de Roma, tornaram-se eles mesmos  impérios e as suas línguas foram levadas para os países que colonizaram. Um bom exemplo disso é a íngua portuguesa, originária em Portugal e espalhada pelo Brasil, África e Timor-Leste. Os portugueses influenciaram as culturas de todos os países que colonizaram, uma dessas influências foi a implementação da língua, o português. Contudo, outra coisa incrível estava a acontecer. As culturas dos países colonizados estava também a influenciar os portugueses e a sua língua. Termos foram introduzidos, novos conceitos aprendidos.

Ao longo dos anos, a língua manteve-se nesses países, muito depois da colonização, mas certamente não seria a mesma língua que os portugueses introduziram séculos antes. Cada país adaptou-a aos seus valores culturais e costumes. Alguns sofreram influências de outros países e acabaram por adoptar palavras destes, estou a pensar no exemplo de “trem”, que é a palavra para comboio em português do Brasil, que deriva do inglês “train”. Em Portugal, é referido como “comboio”. As diferenças entres eles tornaram-se cada vez maiores e criaram-se variantes.   Ainda mantêm a mesma estrutura principal, mas desenvolveu de uma forma diferente, de acordo com uma cultura diferente e daí que já não seja a mesma que a que lhe deu origem. Até mesmo a língua original mudou, porque Portugal também foi influenciado por muitos factores e a sua cultura também mudou. Portanto, cada uma destas variantes são uma parte intrínseca da identidade de cada um destes países, porque representam cada um deles e as características únicas que cada um possa ter.

Para nós tradutores, é muito importante entender estas diferenças, por forma a podermos fazer bem o nosso trabalho. Conhecer a nossa audiência da língua chegada e a sua cultura é uma parte fundamental do nosso trabalho, porque se passamos a mensagem numa variante diferente, podemos ter muitos problemas. Uma palavra pode ser bastante inócua numa variante e noutra pode ser considerada uma ofensa, por isso, se for utilizada no país onde é considerada uma ofensa, não só pode retirar o significado do texto de partida, o que por si só já é bastante grave, mas pode também ofender o leitor. Respeitar estas diferenças culturais, que fazem parte da identidade de cada país é uma parte muito importante de ser um bom tradutor.

Cátia

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