Seguir a minha paixão

Seguir a minha paixão é o meu objectivo absoluto. Eu acredito piamente, que a devoção que tenho ao meu trabalho me leva a fazê-lo melhor. Sou prefeccionista, disciplinada e muito meticulosa, acima de tudo, ponho-me no lugar do cliente, por isso tenho sempre os seus interesses em mente, pois prestar-lhe o melhor serviço vai providenciar-me a melhor carreira.  

Como comecei

Se me perguntasse se queria ser tradutora quando era miúda, definitivamente a minha resposta seria não! Mas se me perguntar, se estou feliz com o meu trabalho, certamente direi: absolutamente! Mas o que me trouxe a esta profissão e o que me tem mantido motivada, por mais de 10 anos?   

Aterrei nesta profissão por sorte. Estava a trabalhar num atelier de arquitectura, em Lisboa, e tinha uma excelente relação com o meu patrão. Uma das minhas responsabilidades era manter a comunicação com os nossos clientes estrangeiros, por isso o meu nível de inglês estava sempre a ser avaliado. Um dia, o meu patrão pediu-me, uma vez que o meu nível de inglês era tão bom, se podia traduzir um manual de AutoCAD, para um membro da equipa, que tinha dificuldade em entender o manual em inglês. Nunca tinha feito nada do género, e era inglês técnico, por isso não estava certa de estar à altura para aquele trabalho, mas como adoro um bom desafio, aceitei. Uma vez que já trabalhava lá há algum tempo e preparava todos os documentos para os Projectos dele, estava muito familiarizada com a linguagem e fiz o melhor que pude. O meu patrão ficou tão contente com o resultado, que me incentivou a fazer um curso de tradução e coloca-lo no meu CV

Estava tão contente com a opinião dele e aquele trabalho tinha-me dado tanto prazer fazer, que considerei seriamente a sugestão dele. Algum tempo mais tarde, matriculei-me no Curso de Tradução do British Council, em Lisboa e cá estou …

O que me motiva

Hoje, adoro o meu trabalho e penso que não escolheria outro. O que me motiva? O facto de que aprendo coisas novas todos os dias, o contacto com os clientes, a oportunidade de conhecer colegas e trabalhar com eles para melhorar o nosso sector.

Comecei a trabalhar no sector do turismo e aviação. Trabalhei com uma companhia aérea por cerca de 8 anos. Durante esse tempo aprendi muito sobre aquele campo. Sendo eu mesma, uma amante da avião ajudou-me a fazer o meu trabalho. Agora, estou a trabalhar com uma empresa num sector diferente, Jogos de Casino, e continuo a aprender cada vez mais com cada projecto que faço. Isso mantém-me interessada e os desafios que trás mantêm-me motivada para me levantar todos os dias e vir para o escritório, para mais um dia de trabalho.  

Os pontos negativos

Tal como em qualquer outra profissão, existem coisas boas e más. Para mim, se tivesse de apontar alguns pontos negativos desta profissão seriam a desvalorização do nosso trabalho, a desregulamentação massiva do nosso sector e o facto que que, porque trabalhamos a partir de casa, algumas pessoas pensam que não temos emprego.

O nosso sector é largamente desvalorizado em todo o mundo. Infelizmente, há uma forte crença de que o nosso trabalho é muito fácil e não qualificado. Isso entristece-me, pois sei bem como um bom tradutor tem de trabalhar árduamente. O nosso trabalho é bastante complexo e ncessitamos das qualificações adequadas para o fazer. A desregulamentação significa que, basicamente, qualque pessoa pode dizer que é tradutor, isso leva a pessoas sem qualificações fazerem um mau trabalho e darem mau nome a todos nós. Na minha opinião, deveria ser introduzida mais regulamentação e as associações deveriam ter um papel principal nisso. Na Austrália, temo-lo com a AUSIT e a NAATI, mas muitos países não têm. Associações de qualidade que comunicassem entre elas e com os governos para criar uma base para boa regulamentação, poderia significar um aumento do nível de qualidade. Isso poderia também mudar a percepção que as pessoas têm do nosso trabalho.  

O facto de que trabalhamos a partir de casa é, por vezes, visto como não trabalhar. Tenho visto isto por toda a minha carreira. A COVID-19 mudou um pouco isso, uma vez que aqueles que poderiam pensar isso, estão agora a trabalhar a partir de casa e a ter a mesma rotina que eu.

Fazendo um balanço dos pontos positivos e negativos, posso dizer que os pontos positivos contrabalançam os negativos. Adoro o meu trabalho e as oportunidades que me dá de aprender e crescer, não só profissionalmente, mas também como pessoa.