Fazes Conferêcias?

Quando conhecemos alguém novo num determinado evento, é bastante comum falarmos de nós e saber um pouco da outra pessoa. É nomal falarmos do local onde vivemos, dos filhos e, claro está, da profissão. A minha experiência tem sido sempre muito agradável e trás sempre a mesma questão: “Ah és tradutora. Que engraçado. Fazes conferências?  …   
 
Sim. Se estiver a organizar uma conferência e necessitar panfletos em várias línguas, sendo uma delas português, posso com certeza. Mas caso necessite de alguém, que esteja na conferência e traduza para português, o que um determinado participante diz  em inglês, para que os participante portugueses percebam, então a minha resposta será: não, porque não sou interprete.
 
E de seguida a conversa torna-se ainda mais interessante, e é-me sempre pedido que explique a diferença. É bastante compreensível, uma vez que, teóricamente, quer tradutores, como interpretes traduzem de uma língua fonte, para uma língua alvo. Contudo, a forma como fazemos o nosso trabalho é totalmente diferente, e temos até qualificações diferentes.
 
Um tradutor trabalha com documentos escritos. Sentamo-nos na nossa secretária, com as nossas ferramentas e traduzimos documentos.  Um interprete trabalha de uma forma diferente. O trabalho deles é oral, em vez de escrito. Eles traduzem discursos, ou traduzem pelo telefone, ou outras situações semelhantes.
 
Mas agora se me perguntar, se não consigo traduzir o que alguém diz, para outra pessoa que não entenda, sim posso; Na realidade, penso que todas as pessoas bilingues o fazem, sempre que necessário. Já me pediram para acompanhar familiares a consultas médicas, já me pediram para traduzir conversas em eventos familiares, para quem não perceba inglês. Contudo, fi-lo num contexto familiar e, claro está, não cobrei por isso, nem nunca agi na qualidade de interprete, uma vez que não possuo qualificações para tal.
 
Existem profissionais que possuem as duas qualificações. Estes são tradutores e interpretes.
 
Na realidade, ambos temos uma excelente e muito desafiante profissão, ambos aprendemos imenso durante as nossas carreiras. Ambos temos um trabalho com muita responsabilidade, mas quem não a tem?
 

Hoje, decidi falar sobre isto, para poder clarificar este assunto e ajudar as pessoas a entender a diferença entre um tradutor e interprete.

Espero tê-lo feito.

Cátia

Nota: Este artigo foi editado e revisto, do original publicado no meu Blogue profissional “In the eyes of a translator”, em Maio de 2012.

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